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Como fazer o manejo adequado dos microcistos agrupados encontrados nos exames de ultrassonografia mamária?

Andrea Freitas Stavros

22/12/2020

Atualizado em22/12/2020

4 min

Destaques

  • Microcistos agrupados na mama são achados comuns em mulheres de todas as idades.

  • Na ausência de um componente sólido ou outros achados suspeitos associados, essas lesões apresentam um risco muito baixo para malignidade.

  • Os dados atuais fornecem garantia na nossa prática para suportar a classificação dessas lesões como benignas (BI-RADS 2) e a biópsia com amostra tissular pode ser seguramente evitada.

Como fazer o manejo adequado dos microcistos agrupados encontrados nos exames de ultrassonografia mamária?

Microcistos agrupados são achados comuns nos exames de ultrassonografia das mamas, especialmente em mulheres na perimenopausa e são vistos em até 6% dos exames. Essa investigação tenta contribuir com casos adicionais à literatura existente, suficientes para dar mais confiança e suporte a recomendação de benigno (ACR-BI-RADS Categoria 2), evitando assim biópsias ou seguimento por imagem.

Foram utilizadas informações do PACS (Picture Archiving and Communication System) para rever retrospectivamente relatórios de ultrassonografia em dois hospitais (um grande hospital terciário acadêmico e uma rede nacional abrangente de câncer- chamado de centro de câncer) dentro do sistema de saúde de uma única metrópole entre 2005 e 2015.

Os relatórios ultrassonográficos foram revistos para todas as lesões que atendiam aos critérios de inclusão: (a) idade mínima de 18 anos (b) lesões identificadas como microcistos agrupados com acompanhamento por imagem de pelo menos 24 meses, biópsia com amostra tissular ou ambos.

Para os propósitos deste estudo foi utilizada a definição do sistema BI-RADS para microcistos agrupados na ultrassonografia: “agrupamentos de nódulos anecoicos, cada um com 2-3 mm, separados por finos septos menores que 0,5 mm, sem componente sólido discreto”, mas também incluiu cistos com até 5 mm no maior diâmetro, já que esse limite de tamanho é apoiado pela literatura publicada.

A pesquisa no PACS identificou o termo microcistos agrupados em 583 dos 33369 (2%) relatórios de ambas instituições. Foram identificadas 263 das 583 lesões (45%) que preenchiam os critérios do BI-RADS para microcistos agrupados. Foram excluídas lesões (n = 67) devido a falta de seguimento por imagem (<24 meses) ou sem registro de biópsia com amostra tissular.

Dois médicos foram independentemente envolvidos na pesquisa, avaliação de qualidade e extração dos dados dos estudos elegíveis. Todos os dados foram verificados e quaisquer conflitos resolvidos em consenso.

Os revisores foram ocultados sobre os resultados das lesões e revisaram todas as imagens ultrassonográficas para determinar se os achados preenchiam os critérios do BI-RADS para microcistos agrupados. As imagens e relatórios das mamografias foram revistas para identificar se o achado do ultrassom representava o achado principal ou um achado incidental e se a anormalidade estava numa área de preocupação clínica. A história clinica, fatores de risco e status de menopausa foram obtidos dos prontuários médicos eletrônicos. O seguimento com imagem, mamográfico e ultrassonográfico (que foi recomendado em 6, 12 e 24 meses) foi documentado do PACS e do prontuário medico eletrônico.

No centro de câncer e no hospital acadêmico terciário, os procedimentos de punção aspirativa com agulha fina foram realizados pelos radiologistas utilizando agulhas de 16 a 22 gauge. Os procedimentos de core biópsia foram realizados pelos radiologistas utilizando agulhas de pelo menos 14 gauge, com ou sem assistência de vácuo. Os resultados dos relatórios histopatológicos ou citopatológicos foram obtidos através do prontuário médico eletrônico.

Um total de 189 mulheres com 196 lesões preencheram os critérios de inclusão. A média de idade foi de 52 anos (46-59anos). Das 69 mulheres (37%) que tiveram o status de menopausa documentado, 22 (32%) estavam na pré-menopausa e 47(68%) na pós-menopausa. Nenhuma das mulheres estava recebendo terapia de reposição hormonal no durante o período dos exames de imagem. Dez das 189 mulheres (5%) tinham história pessoal de câncer de mama tratado.

Durante o período de vigilância de pelo menos 24 meses e ao diagnostico tissular, não foram encontradas malignidades em nenhuma das 196 lesões (0%). Um total de 158 lesões foram seguidas com imagem. Durante o período de seguimento, 28 dessas 158 lesões (18%) resolveram espontaneamente e 13 das 158 (8%) diminuíram de tamanho. Um total de 116 das 158 (73%) lesões não demonstraram alterações no seguimento com imagem.

A média dos diâmetros máximos de todas as lesões foi de 0,88 cm. Não houve diferença de tamanho entre as lesões que tiveram diagnóstico tissular comparado com aquelas que foram seguidas.

Das 165 lesões com descritores de margem, 148 (90%) foram descritas como circunscritas. Das lesões com descritor de forma, 151 de 166 (91%) eram ovais. Como esperado, mais lesões com forma irregular (17 de 196 ou 9%) ou aquelas que eram microlobuladas (15 de 165 ou 9%) ou tinham margens angulares (2 de 165 ou 1%) tiveram diagnóstico com biópsia tissular, comparada com lesões com forma oval ou redonda ou margens circunscritas.

Trinta e oito lesões em 36 mulheres foram submetidas a biopsia percutânea, sem resultados de malignidade.

Nenhuma malignidade foi encontrada em 196 lesões. Esses resultados corroboram os achados de outros investigadores, que também encontraram risco de malignidade para microcistos agrupados extremamente baixo ou inexistente.

 Os radiologistas precisam avaliar cuidadosamente os nódulos císticos identificados pela ultrassonografia para reconhecer precisamente as lesões que não preenchem os critérios para microcistos agrupados. Os dados atuais fornecem garantia na nossa prática para suportar a classificação dessas lesões como benignas (ACR-BI-RADS 2) e a biópsia com amostra tissular pode ser seguramente evitada. Na ausência de um componente sólido ou outros achados suspeitos associados, essas lesões apresentam um risco muito baixo para malignidade.


Referências

Clustered Microcysts at Breast US: Outcomes and Updates for Appropriate Management Recommendations

Alyssa R. Goldbach, Eric Ross — Publicado em 18/02/2020Radiology

DOI: 

10.1148/radiol.2020191505

Andrea Freitas Stavros

CRM: 78137-SP

Médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC. Residência Médica em Radiologia pelo Hospital Nossa Senhora de Lourdes (São Paulo/SP). Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia. Membro da Sociedade Europeia de Imagem de Mama. Doutorado em Radiologia Clinica pela Universidade Federal de São Paulo.

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