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A história do diabetes está se completando

ARNALDO LICHTENSTEIN

29/10/2022

Atualizado em17/11/2022

4 min
A história do diabetes está se completando

O papiro de Ebers menciona os sintomas do diabetes. Os gregos e romanos antigos conheciam a doença, sendo que os últimos deram seu nome. Areteu da Capadócia escreveu em 60 d.C.:


“A diabetes é uma doença estranha, mas, felizmente, não muito comum. Consiste em fazer que a carne e os ossos se dissolvam, escoando-se do corpo juntamente com a urina. O enfermo urina incessantemente; a urina mina de contínuo, como um pequeno riacho. Mui lenta se desenvolve essa moléstia, que tem por desfecho a morte. O deperecimento progride com grande rapidez, tornando triste e penosa a existência dos que dela sofrem. Os doentes são martirizados por uma sede inestancável; não param de beber e urinar e a quantidade de urina excede a do líquido ingerido”.


Século XVII

No século XVII, Thomas Willis demonstrou a presença de açúcar, na urina do diabético, após prová-la. Um século depois, Matthew Dabson demonstrou quimicamente esta descoberta, bem como seu excesso no sangue. Em 1869, Langerhans mostrou que o pâncreas contém um ninho de células que não se associam com a digestão.


1900

Em 1900, Opie provou que, nos diabéticos, aquelas células estão enfermas. Friedrich Naunyn sugeriu a seus dois alunos Minkowski e Von Mehring que verificassem se o pâncreas era essencial à vida. Eles retiraram o pâncreas de um cão e um assistente, desconhecido, observou que as moscas ficavam na urina dele. Tentaram, sem sucesso, dar extratos de insulina pela boca, a exemplo do que se fazia com extratos de tireoide. O trabalho foi publicado em 1892.


1921

Em 1921, Frederick G. Banting, ortopedista canadense e Charles H. Best, aluno da Universidade de Toronto, isolaram o material pancreático de cães e injetaram em outros cães tornados diabéticos. Em 11 de janeiro de 1922 eles deram esta substância para Leonard Thompson, de 14 anos. Imediatamente, sua glicose reduziu-se. A substância chamou-se primeiro iletina e, depois, insulina.


1923

Em 1923, com a ajuda do bioquímico James B. Collip, o extrato de insulina foi purificado. Para se certificar que o extrato não era tóxico, eles experimentaram o produto em si mesmos. No mesmo ano, Banting e John J. R. Macleod (chefe do laboratório) ganharam o prêmio Nobel. Banting, furioso, dividiu seu prêmio com Best, e Macleod, com Collip. A patente foi vendida para a Universidade pelo valor simbólico de U$1,00. O dia do nascimento de Banting, 14 de novembro, é o Dia Mundial do Diabetes. Os laboratórios Connaught e Eli Lilly começaram a produzi-la a partir do pâncreas de porco.


1936

Em 1936, a dinamarquesa Nordisk Insulinlaboratorium (futura Novo Nordisk) prolongou a ação da insulina, ligando-a à protamina, uma proteína proveniente do esperma de peixe. Depois, uma molécula de zinco foi introduzida, transformando a insulina protamina em cristalina, a conhecida NPH ou neutral protamin Hagedorn (em homenagem ao bioquímico da empresa, Hans Christian Hagedorn), patenteada em 1946 e usada até hoje. 


Progressivamente, a insulina foi aperfeiçoada


  • Insulina humana (1966, Obermeier e Geiger, do laboratório Farbwerke Hoechst), monocomponente (1970 pela Nordisk), picada única (1970, pela Lilly), técnica recombinante (1978, pela Genentech), insulinas humanas R (rápida) e N (NPH) (1982 pela Lilly), insulina recombinante humana (1988, pela NovoNordisk), Lispro (1996), aspart (2000), glargina (2000) glilusina (2004) e detemir (2005).


Porém, a insulina não foi usada só para tratar pessoas com diabetes. Por muitos anos, admitiu-se que pacientes com problemas psiquiátricos obtinham melhora se sobrevivessem às convulsões causadas por febre. Assim é que se originou o tratamento da neurossífilis com a provocação da malária.


Técnica de Sakel

O neuropsiquiatra polonês, Manfred J. Sakel, em 1927, fez o seguinte experimento: provocou um coma superficial em uma mulher viciada em morfina, usando uma injeção de insulina e obteve uma notável recuperação de suas faculdades mentais. A insulina em excesso causa queda da glicose sanguínea e cerebral, levando a coma. Sakel afirmou:


“Minha suposição foi que alguns agentes nocivos enfraqueceriam a resistência e o metabolismo das células nervosas (...) uma redução no gasto de energia da célula, isto é, ao invocarmos uma menor ou maior hibernação nela, bloqueando a célula com insulina, isso a forçará conservar a sua energia funcional e armazená-la, de modo a ficar disponível para o reforço da célula.".


Sakel e o tratamento para esquizofrenia

Em 1930, ele começou a aperfeiçoar aquilo que se tornou conhecido como a “Técnica de Sakel” para tratar esquizofrênicos, primeiro em Viena, na Clínica de Neuropsiquiatria da Universidade, e, a partir de 1934, nos Estados Unidos, para onde fugiu do regime nazista. A comunicação oficial desta técnica foi feita em setembro de 1933, e foi entusiasticamente recebida. Até então, é importante lembrar, nenhum tratamento biológico para esquizofrenia estava disponível.


Trabalho de 1939, publicado pela American Psychiatric Association por R. Ross e Benjamin Malzberg, entre 1757 casos de esquizofrenia tratados por terapia por choque insulínico, 11% tiveram uma pronta e total recuperação, 26,5% apresentaram uma grande melhora e 26% tiveram alguma melhora.


Um segundo estudo, realizado no Hospital da Pensilvânia, teve uma taxa de melhora de 63%, com 42% dos pacientes ainda em boas condições mentais após dois anos de seguimento. Porém, estudos controlados mostraram que a cura real não era alcançada e que as melhoras eram na maioria das vezes temporárias. E o tratamento foi abandonado.


Uma nova via de administração

Hoje, 100 anos após a descoberta de Banting, acaba de ser aprovado um trabalho com o uso via oral de uma insulina: Oral Insulin (ORMD-0801) in Type 2 Diabetes Mellitus: Dose-Finding 12-Week Randomized Placebo-Controlled Study, DOI: 10.1111/dom.14901. Neste estudo, 373 pacientes com diabetes tipo II foram randomizados com placebo. Tinham Hb glicada entre 9 e 9,8% e tiveram um melhor controle. É, sem dúvida, uma notícia auspiciosa para quase 8% da população brasileira.



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Referências

Oral Insulin ( <scp>ORMD</scp> ‐0801) in Type 2 Diabetes Mellitus: <scp>Dose‐Finding 12‐Week</scp> Randomized <scp>Placebo‐Controlled</scp> Study

Roy Eldor, Bruce H. Francis, Alexander Fleming, Joel Neutel, Kenneth Homer, Miriam Kidron, Julio Rosenstock — Publicado em 24/11/2022Diabetes, Obesity and Metabolism

DOI: 

10.1111/dom.14901

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INSULINA ORAL
DIABETES
DIABETES MELLITUS TIPO 2
INSULINA

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