Antidepressivos e seus efeitos adversos em idosos

Carlos Eduardo Pompilio

Carlos Eduardo Pompilio

Hassan Rahhal

12/09/2022

Atualizado em02/06/2021

1 min

Depressão é uma doença extremamente prevalente, encontrada em 15-20% de pacientes acima de 65 anos em cuidados ambulatoriais nos EUA e ultrapassando 50% ao se considerar essa população institucionalizada.

Ao se escolher o tratamento medicamentoso da depressão, um dos fatores a se considerar é quais são os eventos adversos daquele medicamento em questão. Como alguns eventos podem ocorrer com maior prevalência em idosos ou mesmo podem ser mais preocupantes nessa população, Sobieraj DM et cols realizaram uma revisão sistemática sobre o assunto:


  • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (SSRI; citalopram, escitalopram, fluoxetina) e inibidores da recaptação de de noradrenalina e serotonina (SNRI; duloxetina, venlafaxina) foram associados à maior taxa de interrupção do tratamento que placebos, sugerindo que essas classes geram algum tipo de evento adverso ou mal-estar nos pacientes. Apesar disso, os SSRI foram os medicamentos com a taxa geral de eventos adversos mais similares ao placebo. 
  • Dentre os SNRI, a duloxetina foi identificada com maior risco de queda e a venlafaxina foi associada, além de um risco aumentado de queda, também às fraturas e mortalidade.
  • A mirtazapina, frequentemente prescrita a idosos, foi associada com menor chance de interrupção do tratamento ao ser comparada com a paroxetina, mas com maior risco de mortalidade global, quedas e fraturas. Enquanto a trazodona foi associada com maior risco de quedas e mortalidade global.


Essas informações não devem ser consideradas como relações de causa e efeito, ou seja, pacientes idosos que iniciam mirtazapina não necessariamente irão começar a cair. Na verdade, esses dados devem ajudar no processo de decisão da prescrição médica e sensibilizar médicos e médicas a reconhecer que todos os antidepressivos podem e frequentemente geram eventos adversos nos pacientes que os utilizam.


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Carlos Eduardo Pompilio

Carlos Eduardo Pompilio

Clínica Médica

CRM: 67539-SP

Médico formado pela Universidade de São Paulo, com residência em Clínica Médica e doutorado em Anatomia Patológica pela USP. Médico assistente do Departamento de Clínica Médica, Disciplina da Clínica Geral do Hospital das Clínicas da FMUSP. Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisa em Literatura, Narrativa e Medicina (GENAM) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Hassan Rahhal

Clínica Médica

CRM: 171543-SP

Médico formado pela Universidade Federal Fluminense, residência e preceptoria em Clínica Médica (Medicina Interna) pelo Hospital das Clínicas da FMUSP. Atualmente é médico das Disciplinas de Emergências Clínicas e Clínica Geral do HCFMUSP, além de Hospitalista no Hospital Sírio-Libânes.

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