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Como os médicos pensam

Carlos Eduardo Pompilio

Carlos Eduardo Pompilio

07/11/2020

Atualizado em19/10/2022

2 min
Como os médicos pensam

Abordando casos e analisando raciocínios que levam os médicos a conclusões e diagnósticos simplesmente brilhantes ou totalmente errados, o autor investiga o mundo quase secreto da medicina. Um livro de estilo único que combina jornalismo, medicina e romance, produzido a partir de pesquisas científicas, entrevistas e informações sobre o relacionamento médico-paciente.


Como os médicos pensam


A ideia de Jerome Groopman é, de certa forma, desmistificar o trabalho dos médicos. Ao chamar a atenção para os aspectos humanos do profissional de saúde, Groopman os humaniza e lembra que eles também estão sujeitos a incertezas, ao erro, a sentimentos ambíguos em relação aos pacientes, às limitações estruturais de seus locais de trabalho, enfim, das restrições e exigências impostas pela sociedade na qual estão inseridos.


O autor é médico hematologista e judeu, formado na Harvard. Isso pode parecer irrelevante, mas é importante para entender, por exemplo, um capítulo onde uma mulher pertencente a sua sinagoga passa por uma experiência tenebrosa com sua filha vietnamita adotada. Também porque a abordagem religiosa que inevitavelmente permeia uma relação médico-paciente, é feita elegantemente, não piegas, diria mesmo útil, mesmo para médicos não religiosos. Esse é um aspecto que não pode ser ignorado.


O título do livro, contudo, me pareceu ambicioso demais. O assunto prevalente são erros diagnósticos, como se médicos só pensassem no diagnóstico! Como o autor é um clínico, pouco sobre cirurgia, bastante mais sobre indicações cirúrgicas, o que, claro, tem muito a ver também com diagnósticos. Groopman desfia casos próprios e de médicos que entrevistou, tendo o cuidado de procurar entender onde houve falhas cognitivas para se atingir o diagnóstico correto. Há passagens de uma honestidade desconfortável para um leitor-médico. Esse é uma das razões pelas quais gostei do livro. Ao abusar disso, entretanto, por vezes acaba ficando repetitivo.


Capa do livro, edição em inglês



Outro ponto positivo é o de colocar o paciente na outra ponta do processo. Ele também tem sua parcela de responsabilidade pela dificuldade diagnóstica e pode, claro(!), ajudar o médico nessa tarefa. Os exemplos citados são bastante reais e pude me identificar com alguns. Aqui, temos algumas diferenças culturais em relação aos pacientes de Groopman. Quando o médico não acerta na primeira, o paciente volta ao mesmo médico e tenta resolver. Pelo menos é isso que Groopman propõe. Diferente da praxe brasileiríssima de ficar pulando de médico em médico para ouvir segundas ou terceiras opiniões e acabar não fazendo nada do que lhe foi dito!


Achei o livro útil. Bem escrito e com boa tradução, tornando a leitura e a explicação de termos técnicos bastante assimiláveis. Deixarei o exemplar no consultório. Quem sabe ele não me dá uma mãozinha?

 

Ficha Técnica

Título: Como os Médicos Pensam

Autor: Jerome Groopman

Capa comum: 320 páginas

ISBN-13: 978-85-220-0939-8

Tradução: Alexandre Martins

Editora: Agir; 1ª Edição (abril 2008)

Idioma: Português

Onde encontrar: Amazon


Tags

LIVRO
MEDICO
Carlos Eduardo Pompilio

Carlos Eduardo Pompilio

Clínica Médica

CRM: 67539-SP

Médico formado pela Universidade de São Paulo, com residência em Clínica Médica e doutorado em Anatomia Patológica pela USP. Médico assistente do Departamento de Clínica Médica, Disciplina da Clínica Geral do Hospital das Clínicas da FMUSP. Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisa em Literatura, Narrativa e Medicina (GENAM) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

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