Maconha: um pouco de história

Carlos Eduardo Pompilio

Carlos Eduardo Pompilio

29/07/2022

Atualizado em07/07/2022

2 min

Os alcaloides da Cannabis sativa L. são há muito conhecidos pela humanidade e, provavelmente, a herbácea foi uma das primeiras plantas a ser cultivada por agrupamentos humanos fixados no campo. Há descrições arqueológicas em sítios chineses de até 4.000 anos AC, mas ainda há dúvidas sobre seu local de origem.



Maconha ou Cânhamo?

A planta era utilizada por artesãos devido a suas resistentes fibras, chamadas cânhamo. Há quem diga que o nome maconha é um anagrama da palavra cânhamo, como mostra a figura abaixo:

Figura 1. Anagrama de maconha. (Carlini, 2006)



Como a planta chegou ao Brasil?

De qualquer forma, a maconha, como é conhecida no Brasil, parece ter sido introduzida no país em 1549, trazida pelos escravos. Seja pelas polêmicas que desperta, pela glamourização de seu uso, pela cultura ou pelo comportamento, a maconha, indiscutivelmente, faz parte da sociedade brasileira e, apesar de tudo, seu consumo continua proibido.



Uso Medicinal

Recentemente, a maconha e seus alcaloides passaram também a fazer parte do portfólio de substâncias com interesses terapêuticos, e a medicina voltou cuidadosamente seu olhar para esse potencial. Em maior de 2022, a Anvisa aprovou mais três produtos de Cannabis para uso medicinal.



Canabinoides

Mais de 100 substâncias, chamadas canabinoides, foram isoladas da cannabis. Os mais importantes são:



  • O canabidiol (CBD);
  • O Δ 9 -Tetrahidrocanabinol.



O CBD foi isolado pela primeira vez em 1940, e sua estrutura, descrita em 1963. Por não possuir propriedades psicoativas, foi-lhe dada uma importância menor que o THC.

A estrutura do principal fitocanabinoide psicoativo, o THC, foi determinada em 1964 e impulsionou a exploração de um novo sistema receptor, o sistema endocanabinoide (ECS), em analogia ao sistema opioide, descrito décadas antes. O primeiro receptor canabinoide (CB1R), em cérebros de ratos e humanos, foi descrito em 1988. Apenas 4 anos depois, foi isolado o primeiro endocanabinóide, a araquidonoiletanolamida (AEA) apelidada de anandamida, em referência à palavra sânscrita ānanda, que significa "felicidade" ou "prazer".

Abria-se, então, a partir da década de 90, uma grande avenida de possibilidades terapêuticas para a planta, velha conhecida da humanidade, que agora, domesticada e testada, poderia servir a quem mais necessitava de seus efeitos assombrosos.




Referência

Crocq MA. History of cannabis and the endocannabinoid system . Dialogues Clin Neurosci. 2020 Sep;22(3):223-228. doi: 10.31887/DCNS.2020.22.3/mcrocq. PMID: 33162765; PMCID: PMC7605027.




Você também pode se interessar por:

1. Quando o ABORTO é legalizado no Brasil?

2. Klimt e sua Medicina




Inscrições abertas!

Curso Introdução à Cannabis medicinal: do zero à prescrição! 

Inscreva-se agora no curso e garanta sua vaga!






Referências

History of cannabis and the endocannabinoid system

Marc-Antoine Crocq — Publicado em 30/10/2020Dialogues in Clinical Neuroscience

DOI: 

10.31887/dcns.2020.22.3/mcrocq

Tags

AMBULATÓRIO
DROGAS RECREACIONAIS
Carlos Eduardo Pompilio

Carlos Eduardo Pompilio

Clínica Médica

CRM: 67539-SP

Médico formado pela Universidade de São Paulo, com residência em Clínica Médica e doutorado em Anatomia Patológica pela USP. Médico assistente do Departamento de Clínica Médica, Disciplina da Clínica Geral do Hospital das Clínicas da FMUSP. Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisa em Literatura, Narrativa e Medicina (GENAM) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Parcerias:

logo GrupoFleury
logo MIT
logo Philips
logo Saude Id
logo BricNet
logo Cannect
logo Hospital Sírio-Libanês

A Pupilla

Siga nossas redes