Quais achados eletrocardiográficos são preditores de deterioração clínica na embolia pulmonar?

Carlos Eduardo Pompilio

Carlos Eduardo Pompilio

01/09/2022

Atualizado em16/08/2022

1 min

Para responder a essa pergunta sobre a relação entre os preditores de deterioração clínica e a embolia pulmonar, os autores deste estudo selecionaram mais de 1600 pacientes em vários centros nos Estados Unidos com diagnóstico cintilo- ou angiotomográfico confirmado de tromboembolismo pulmonar (TEP).

Foram excluídos pacientes menores de 18 anos, usuários de marca-passos ou que tinham um ECG de qualidade ruim. Todos os pacientes foram submetidos a estudo ecocardiográfico com o objetivo de avaliar anormalidades no ventrículo direito (abnlRV). O desfecho primário foi a deterioração clínica dos pacientes, definida como qualquer episódio que exigisse monitoramento hospitalar ou intervenção, a saber:

  • Insuficiência respiratória;
  • Parada cardíaca;
  • Arritmias;
  • Hipotensão sustentada, exigindo expansão de volume ou drogas vasoativas;
  • Escalonamento de condutas em relação ao TEP (trombólise, trombectomia, etc).


Nesse sentido, a média de idade analisada foi 59,6 ± 16,6 anos, sendo 48,2% mulheres e 65,5% caucasianos.



Análise do estudo


As conclusões dão conta de que vários padrões de ECG são significativamente mais frequentes nos pacientes que apresentaram deterioração clínica. A taquicardia supraventricular foi um preditor independente de deterioração clínica (com uma odds ratio maior que da troponina). Além dele, foram preditores independentes de abnlRV pela ecocardiografia:

Taquicardia sinusal;

Supra de ST em aVR;

BRD incompleto;

S1-Q3-T3;

Inversão de onda T em V2–4.


A ausência de qualquer um dos padrões anormais de ECG foi associada à redução do risco de deterioração clínica e abnlRV pela análise univariável, mas não pela multivariável.


O estudo tem várias limitações, como apontam os próprios autores. Por exemplo, não foi possível avaliar alterações eletrocardiográficas presentes antes do quadro agudo, o que poderia gerar certa confusão com os novos achados. Mesmo assim, o ponto positivo é: se por um lado, o ecocardiograma não é imediatamente acessível em muitas emergências do Brasil; por outro, o ECG é ferramenta relativamente comum. Olhar com cuidado para ele no contexto de um paciente com dispneia no pronto-socorro pode antecipar quadros mais graves com consequências catastróficas.


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Referências

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35748352/

Electrocardiographic findings associated with early clinical deterioration in acute pulmonary embolism

Anthony J. Weekes, Jaron D. Raper, Alyssa M. Thomas, Kathryn Lupez, Carly A. Cox, Dasia Esener, Jeremy S. Boyd, Jason T. Nomura, Jillian Davison, Patrick M. Ockerse, Stephen Leech, Eric Abrams, Christopher Kelly, Nathaniel S. O'Connell — Publicado em 20/08/2022Academic Emergency Medicine

DOI: 

10.1111/acem.14554

Tags

ECG
EMBOLIA PULMONAR
Carlos Eduardo Pompilio

Carlos Eduardo Pompilio

Clínica Médica

CRM: 67539-SP

Médico formado pela Universidade de São Paulo, com residência em Clínica Médica e doutorado em Anatomia Patológica pela USP. Médico assistente do Departamento de Clínica Médica, Disciplina da Clínica Geral do Hospital das Clínicas da FMUSP. Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisa em Literatura, Narrativa e Medicina (GENAM) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

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