EVALI: síndrome respiratória aguda associada ao cigarro eletrônico

Claudia da Costa Leite

Claudia da Costa Leite

02/09/2022

Atualizado em30/08/2022

2 min

Infelizmente, o uso de vape e cigarros eletrônicos tem aumentado assustadoramente na última década. Recentemente, foi descrita uma síndrome respiratória aguda que tem sido chamada de EVALI (do inglês E-cigarette or vaping-induced lung injury), a qual afeta principalmente adultos jovens e adolescentes. Kligerman e colaboradores (Chest 2021) avaliaram 160 pacientes de 20 instituições de 15 estados, sendo 127 homens com idade média de 28 anos que apresentaram EVALI. Desta casuística, dois pacientes evoluíram para o óbito.


Figura 1. Associação Médica Brasileira (AMB) compara os efeitos dos cigarros eletrônicos aos do cigarro tradicional.

Fonte: AMB/rede social (2021)



O que dizem os estudos


No estudo analisado (Chest 2021), o espectro de imagem na tomografia computadorizada foi o mesmo de lesões pulmonares agudas de outras etiologias e inclui desde pneumonia organizada até dano alveolar difuso. O padrão foi difuso ou acometendo os lobos inferiores com padrão predominante de opacidades em vidro fosco com ou sem consolidações, observando-se áreas subpleurais ou lobulares ou peribrônquicas preservadas. Nos lobos superiores observou-se o predomínio do padrão centrilobular. Estes achados são encontrados em outras pneumonites químicas.



Diagnóstico


O diagnóstico de EVALI é baseado no uso de cigarros eletrônicos e vapes e exclusão de outras etiologias. 

O padrão encontrado variou bastante, sendo em parte explicado, geralmente, pela(o):


  • Heterogeneidade da composição química;
  • Tamanho das partículas e maneiras de uso, como:
  1. Volume do puff;
  2. Duração;
  3. Fluxo;
  4. Frequência de uso;
  5. Etc.


Os cigarros eletrônicos e vapers podem conter nicotina e derivados de cannabis (THC tetrahidrocanabidiol) ou ambos.

A maior frequência na prática de vaping foi associada a quadros de lesão pulmonar aguda mais extensos. Sendo assim, os vapes, que saíram mais recentemente, também estão associados a este tipo de lesão, talvez por mudanças em sua composição. 

É importante, no caso de síndromes respiratórias agudas, pesquisar o uso de cigarros eletrônicos e/ou vape, considerados por muitos adolescentes e jovens como um hábito "inofensivo". 


Você também pode se interessar por:

Doença do refluxo gastroesofágico: fisiopatogenia básica, epidemiologia e quadro clínico

Critérios de Boston versão 2.0 para angiopatia amiloide cerebral


Referências

10.1016/j.chest.2021.04.054.

CT Findings and Patterns of e-Cigarette or Vaping Product Use-Associated Lung Injury

Seth J. Kligerman, Fernando U. Kay, Constantine A. Raptis, Travis S. Henry, Jacob W. Sechrist, Christopher M. Walker, Daniel Vargas, Peter D. Filev, Michael S. Chung, Subba R. Digumarthy, Alan M. Ropp, Tan-Lucien Mohammed, Kristen W. Pope, Kaitlin M. Marquis, Jonathan H. Chung, Jeffrey P. Kanne — Publicado em 01/11/2021Chest

DOI: 

10.1016/j.chest.2021.04.054

Tags

CIGARRO ELETRÔNICO
RADIOLOGIA
PNEUMOLOGIA
Claudia da Costa Leite

Claudia da Costa Leite

Radiologia e Diagnóstico por imagem

CRM: 65349-SP

Médica radiologista formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Neurorradiologista do Grupo Fleury. Professora Associada do Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina da USP. Coordenadora do Ensino e Pesquisa do INRAD-HCFMUSP. Coordenadora de Pesquisa do Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio Libânes.

Parcerias:

logo GrupoFleury
logo MIT
logo Philips
logo Saude Id
logo BricNet
logo Cannect
logo Hospital Sírio-Libanês

A Pupilla

Siga nossas redes