[Resolução] Comportamentos inadequados. Qual o diagnóstico?

Claudia da Costa Leite

Claudia da Costa Leite

12/07/2022

Atualizado em07/07/2022

2 min

História clínica

Paciente de 31 anos, sexo feminino, com quadro prévio de depressão. Segundo a família, na volta de uma viagem ao exterior, começou a apresentar aceleração do pensamento, agitação, comportamentos inadequados, sendo que, há 2 dias, demonstra dificuldades para andar e falar. Antecedente pessoal de hipotireoidismo


Figura 1. Imagem axial pesada em T2 demonstra lesões tumefativas, bilaterais na substância branca periventricular.


Figura 2. Imagem axial FLAIR demonstra que muitas lesões são confluentes e tem hipersinal.


Figura 3. Mapa de difusão (ADC) mostra que há pontos focais de restrição à difusão nas lesões.


Figura 4. Imagem axial pesada em T1 após a administração de gadolínio não demonstra realce das lesões.




Diagnóstico

Leucoencefalopatia associada a cocaína e levamisol.


ressonância magnética demonstrou lesões bilaterais, algumas vezes simétricas, na substância branca, com áreas de restrição à difusão e sem realce pelo contraste. Esses achados sugerem a possibilidade de uma doença desmielinizante como encefalopatia aguda disseminada (que geralmente tem realce simultâneo de várias lesões); uma encefalopatia tóxica ou metabólica e, mais remotamente, esclerose múltipla com apresentação pseudotumoral. Os achados laboratoriais não demonstraram nada digno de nota, inclusive o liquor. Com estes achados clínicos, laboratoriais e de imagem, deve-se descartar a possibilidade de uma encefalopatia tóxica/metabólica. Novamente, foi consultada a família que citou que, algumas vezes, a paciente fazia uso de drogas ilícitas, sendo confirmada a presença de cocaína no plasma. Com este achado, a principal hipótese diagnóstica é a de leucoencefalopatia tóxica, podendo estar associada ao uso de cocaína e também de fumo de heróina aquecida. O diagnóstico final foi de leucoencefalopatia associada à cocaína e a levamisol. Nesses casos, o efeito no sistema nervoso central pode estar associado à cocaína ou ao levamisol, que é uma droga anti-helmíntica encontrada como adulterante da cocaína por aumentar o seu efeito e diminuir o custo da droga.

 


Referências:

Pessini LM, Kremer S, Auger C, Castilló J, Pottecher J, de Sèze J, Lhermitte B, Maciag E, Rovira A. Tumefactive inflammatory leukoencephalopathy in cocaine users: Report of three cases. Mult Scler Relat Disord. 2020 Feb;38:101496. doi: 10.1016/j.msard.2019.101496.

Rimkus Cde M, Andrade CS, Leite Cda C, McKinney AM, Lucato LT. Toxic leukoencephalopathies, including drug, medication, environmental, and radiation-induced encephalopathic syndromes. Semin Ultrasound CT MR. 2014 Apr;35(2):97-117. doi: 10.1053/j.sult.2013.09.005. 

 




Mantenha-se atualizado aos conteúdos da Pupilla para mais casos clínicos.

 

Você também pode se interessar por:

1. [RESOLUÇÃO] Paciente de 23 anos, feminino, com cefaleia pós-COVID. Qual sua hipótese diagnóstica?

2. [Resolução] Paciente de 35 anos, sexo feminino, queixando-se de amenorreia e galactorreia. Foram realizados exames laboratoriais demonstrando prolactina e macroprolactina sanguíneas aumentadas.



Curso Arte e Medicina: inscrições abertas


Tags

RADIOLOGIA
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
NEURO
Claudia da Costa Leite

Claudia da Costa Leite

Radiologia e Diagnóstico por imagem

CRM: 65349-SP

Médica radiologista formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Neurorradiologista do Grupo Fleury. Professora Associada do Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina da USP. Coordenadora do Ensino e Pesquisa do INRAD-HCFMUSP. Coordenadora de Pesquisa do Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio Libânes.

Parcerias:

logo GrupoFleury
logo MIT
logo Philips
logo Saude Id
logo BricNet
logo Cannect
logo Hospital Sírio-Libanês

A Pupilla

Siga nossas redes