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A triagem auditiva universal impacta o diagnóstico e início do tratamento da deficiência auditiva?

Flávia Almeida

09/06/2022

Atualizado em09/06/2022

2 min

Destaques

  • Deficiência auditiva na infância

A triagem auditiva universal impacta o diagnóstico e início do tratamento da deficiência auditiva?

Quando a deficiência auditiva se inicia nos primeiros anos de vida, compromete o desenvolvimento da fala e da linguagem, interferindo no aprendizado da criança. A longo prazo, compromete as relações interpessoais, o bem-estar psicológico, a qualidade de vida e a independência econômica.

O conhecimento sobre plasticidade neural do sistema auditivo, bem como o advento do implante coclear, reforçam a importância do diagnóstico e da reabilitação precoces. 

No Brasil, a triagem auditiva neonatal universal (TA) ou “Teste da Orelhinha” é considerada obrigatória por lei para todas as crianças nascidas em hospitais brasileiros desde 2010. Recomenda-se a realização de triagem auditiva até o final do primeiro mês de vida. As crianças que falham na triagem devem ser retestadas para ter uma confirmação aos três meses de idade e receber intervenção aos seis meses de idade.

Imagem 1. Triagem auditiva neonatal universal (TA)

Entretanto, na prática, muitos serviços de saúde têm dificuldade em alcançar taxas de diagnóstico, não só pela baixa cobertura do teste, mas também pelas altas taxas de perda de seguimento e diagnóstico tardio da deficiência auditiva (DA) após a triagem. Assim, a TA deixa de cumprir sua proposta: diagnóstico e intervenção precoces para minimizar a efeitos da DA.

Este estudo tem como objetivo avaliar o impacto da TA na idade do diagnóstico e início do tratamento da DA em crianças brasileiras. 

Como foi feito o estudo?

Foi um estudo retrospectivo que avaliou o impacto da TA no diagnóstico, início do tratamento e primeira cirurgia de implante coclear em 135 crianças de até 12 anos de idade com DA bilateral, no Rio Grande do Sul. Essas crianças foram divididas em dois grupos: as que realizaram TA (75,6%) e as que não realizaram. 

O que foi encontrado?

A mediana de idade da primeira consulta em centro especializado foi de 1,4 (0,5 e 2,5) anos, do início do tratamento de 2 (1 e 3,5) anos, e do implante coclear de 2,8 (1,8 e 4,6) anos. 

O ponto mais importante do estudo é a comparação quanto ao tempo de confirmação diagnóstica e de reabilitação da DA. As crianças que realizaram a TA tinham menor idade nos três momentos de avaliação (p < 0,001). 

O que podemos discutir?

Dessa forma, conclui-se que a realização da TA interfere positivamente no tempo para diagnóstico e início do tratamento da DA. Entretanto, numa subanálise de crianças que passaram na triagem, mas foram diagnosticadas com DA depois, a primeira consulta com especialista e o início do tratamento ocorreram numa idade maior do que aquelas que falharam no teste.

Os autores ressaltam que o teste preconizado na TA é o teste de emissões otoacústicas (EOA), que avalia exclusivamente a cóclea; não avalia toda a via auditiva, podendo deixar escapar crianças com possibildade de desenvolverem a perda auditiva tardiamente. 

Ressalto, assim, a importância do pediatra nas consultas de puericultura, para que possa sempre avaliar atentamente qualquer sinal de DA, levando ao diagnóstico e intervenção mais precoces destas crianças. 

Referência

Faistauer M, Silva AL, Dominguez DOR, Bohn R, Félix TM, Costa SSD, Rosito LPS. Does universal newborn hearing screening impact the timing of deafness treatment? J Pediatr (Rio J). 2022 Mar-Apr;98(2):147-154. doi: 10.1016/j.jped.2021.04.008.

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Tags

TRIAGEM NEONATAL
TRIAGEM AUDITIVA
DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Flávia Almeida

Infectologia

CRM: 91434-SP

Médica formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, com residência em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela Santa Casa de São Paulo, doutorado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Professora assistente de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Médica assistente da Infectologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo.

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