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COVID-19: SUS disponibiliza tratamento oral com nirmatrelvir/ritonavir

Flávia Almeida

06/11/2022

Atualizado em17/11/2022

4 min
COVID-19: SUS disponibiliza tratamento oral com nirmatrelvir/ritonavir

Diversos medicamentos para tratamento da Covid-19 já são aprovados e estão disponíveis em países da União Europeia, Reino Unido e nos Estados Unidos.

Até o momento, alguns medicamentos estão aprovados por meio do uso emergencial no Brasil, mas ainda não estavam disponíveis no SUS.

Em 30 de março de 2022, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou a “Autorização temporária de Uso Emergencial” da associação do nirmatrelvir/ritonavir para o tratamento de pacientes com diagnóstico confirmado de COVID-19 com sintomas leves e moderados que apresentem ao menos um fator de risco para evolução para COVID grave


Aprovação pelo CONITEC

No dia 05 de maio de 2022, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) deliberou por maioria simples recomendar a incorporação do nirmatrelvir/ritonavir no SUS.

E em setembro de 2022, o Ministério da Saúde recebeu o primeiro lote da medicação. São 50 mil unidades do nirmatrelvir/ritonavir. Aguardamos a distribuição medicação para as unidades de saúde.


Nirmatrelvir

O nirmatrelvir é uma molécula inibidora da protease 3CLpro do SARS-CoV-2, que gera uma potente atividade antiviral contra o coronavírus, pois inibe a clivagem da poliproteína viral e, consequentemente, a liberação das proteínas que atuam durante o mecanismo de replicação do vírus.


Considerando que o nirmatrelvir é metabolizado pela enzima CYP3A4, o ritonavir tem como função aumentar os níveis séricos do nirmatrelvir. A utilização do ritonavir justifica-se, então, pela redução na velocidade de metabolização (ou depuração) do nirmatrelvir pelo organismo. Interações medicamentosas clinicamente relevantes podem ocorrer quando nirmatrelvir + ritonavir é administrado em concomitância com outros agentes terapêuticos (por exemplo: substratos, indutores ou inibidores do CYP3A4), e assim certas limitações para o uso da medicação podem ser aplicadas.


Figura 1. O quadro mostra a apresentação e a posologia do nirmaltrevir/ritonavir.


Figura 2. Tabela de apresentação e posologia do nirmaltrevir/ritonavir 


Segurança e eficácia

A segurança e a eficácia de nirmaltrevir/ritonavir foram avaliadas no estudo duplo cego, randomizado controlado 1:1, fase 2-3, que incluiu 2.246 pacientes adultos (> 18 anos), não vacinados, e considerados com risco elevado de evoluir para formas graves da COVID-19.


Na análise de pacientes tratados dentro de 3 dias após o início dos sintomas (774 pacientes), a incidência de hospitalização ou morte relacionada à Covid-19 no dia 28 foi menor no grupo nirmatrelvir do que no grupo placebo em 6,32 pontos percentuais (IC 95%, -9,04 a -3,59; P <0,001; redução do risco relativo, 89,1%); a incidência foi de 0,77% (3 de 389 pacientes) no grupo nirmatrelvir, com 0 mortes, em comparação com 7,01% (27 de 385 pacientes) no grupo placebo, com 7 mortes. A eficácia foi mantida na análise final envolvendo os 1.379 pacientes na população de intenção de tratar modificada, com diferença de -5,81 pontos percentuais (IC 95%, -7,78 a -3,84; P<0,001; redução do risco relativo, 88,9%).


Todas as 13 mortes ocorreram no grupo placebo. A carga viral foi menor com nirmatrelvir/ritonavir do que com placebo no dia 5 de tratamento, com uma diferença média ajustada de -0,868 log10 cópias/mL quando o tratamento foi iniciado dentro de 3 dias após o início dos sintomas. A incidência de eventos adversos que surgiram durante o período de tratamento foi semelhante nos dois grupos (qualquer evento adverso, 22,6% com nirmatrelvir/ritonavir versus 23,9% com placebo; eventos adversos graves, 1,6% versus 6,6%; e eventos adversos levando a à descontinuação dos medicamentos ou placebo, 2,1% vs. 4,2%). Disgeusia (5,6% vs. 0,3%) e diarreia (3,1% vs. 1,6%) ocorreram mais frequentemente com nirmatrelvir/ritonavir do que com placebo.


Considerações

Segundo análise da Cochrane, há evidências de baixa certeza de que nirmatrelvir/ritonavir reduz o risco de mortalidade por todas as causas e internação hospitalar ou morte, com base no estudo citado acima. Há evidências de baixa à moderada certeza de que nirmatrelvir/ritonavir é seguro em pessoas sem terapias prévias ou concomitantes, incluindo medicamentos altamente dependentes do CYP3A4.


Em relação aos aspectos de equidade, exceto pela etnia, não foram identificadas diferenças no tamanho e na direção do efeito. Nenhuma evidência está disponível sobre nirmatrelvir/ritonavir para tratar pessoas hospitalizadas com COVID-19 e prevenir uma infecção por SARS-CoV-2.


Além disso, em alguns pacientes, houve um rebote da carga viral e recrudescência dos sintomas após o tratamento com nirmatrelvir/ritonavir, causando preocupações de que as variantes possam estar desenvolvendo resistência ao tratamento ou que possa haver um prejuízo da imunidade humoral. Dois estudos que avaliaram o rebote de pacientes infectados com a variante Ômicron (principalmente com a BA.2) mostraram que não houve desenvolvimento de resistência, nem prejuízo de anticorpos neutralizantes ou de imunidade celular. Uma das hipóteses é que o rebote da carga viral com recorrência dos sintomas da Covid-19 após o tratamento com nirmatrelvir/ritonavir provavelmente ocorre por exposição insuficiente ao medicamento por farmacocinética individual ou duração insuficiente. O significado clínico dessa recrudescência permanece incerto. Estudos adicionais são necessários para definir a etiologia, frequência e consequências clínicas (por exemplo, hospitalizações, óbitos, transmissões) do rebote da carga viral.

 

Leituras recomendadas

Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa. Medicamentos aprovados para tratamento da Covid-19. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/paf/coronavirus/medicamentos

Ministério da saúde. TRATAMENTOS. Brasil recebe primeiro lote de medicamento para tratamento da Covid-19. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/setembro/brasil-recebe-primeiro-lote-de-medicamento-para-tratamento-da-covid-19

Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia para uso do antiviral nirmatrelvir/ritonavir em pacientes com covid-19, não hospitalizados e de alto risco. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2022/guia-para-uso-antiviral-nmvr-covid.pdf


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Comissão Europeia aprova o nirsevimabe para prevenção da doença por VSR em lactentes

 


Referências

Oral Nirmatrelvir for High-Risk, Nonhospitalized Adults with Covid-19

Jennifer Hammond, Heidi Leister-Tebbe, Annie Gardner, Paula Abreu, Weihang Bao, Wayne Wisemandle, MaryLynn Baniecki, Victoria M. Hendrick, Bharat Damle, Abraham Simón-Campos, Rienk Pypstra, James M. Rusnak — Publicado em 14/05/2022New England Journal of Medicine

DOI: 

10.1056/nejmoa2118542

Nirmatrelvir combined with ritonavir for preventing and treating COVID-19

Stefanie Reis, Maria-Inti Metzendorf, Rebecca Kuehn, Maria Popp, Ildiko Gagyor, Peter Kranke, Patrick Meybohm, Nicole Skoetz, Stephanie Weibel — Publicado em 20/10/2022Cochrane Database of Systematic Reviews

Rebound of SARS-CoV-2 Infection after Nirmatrelvir–Ritonavir Treatment

Michael E. Charness, Kalpana Gupta, Gary Stack, Judith Strymish, Eleanor Adams, David C. Lindy, Hiroshi Mohri, David D. Ho — Publicado em 15/10/2022New England Journal of Medicine

Nirmatrelvir–Ritonavir and Viral Load Rebound in Covid-19

Annaliesa S. Anderson, Patrick Caubel, James M. Rusnak — Publicado em 15/10/2022New England Journal of Medicine

Virologic and Immunologic Characterization of Coronavirus Disease 2019 Recrudescence After Nirmatrelvir/Ritonavir Treatment

Aaron F Carlin, Alex E Clark, Antoine Chaillon, Aaron F Garretson, William Bray, Magali Porrachia, AsherLev T Santos, Tariq M Rana, Davey M Smith — Publicado em 20/07/2022Clinical Infectious Diseases

Clinical, Virologic, and Immunologic Evaluation of Symptomatic Coronavirus Disease 2019 Rebound Following Nirmatrelvir/Ritonavir Treatment

Brian P Epling, Joseph M Rocco, Kristin L Boswell, Elizabeth Laidlaw, Frances Galindo, Anela Kellogg, Sanchita Das, Allison Roder, Elodie Ghedin, Allie Kreitman, Robin L Dewar, Sophie E M Kelly, Heather Kalish, Tauseef Rehman, Jeroen Highbarger, Adam Rupert, Gregory Kocher, Michael R Holbrook, Andrea Lisco, Maura Manion, Richard A Koup, Irini Sereti — Publicado em 06/11/2022Clinical Infectious Diseases

Tags

COVID-19
TRATAMENTO

Flávia Almeida

Infectologia

CRM: 91434-SP

Médica formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, com residência em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela Santa Casa de São Paulo, doutorado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Professora assistente de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Médica assistente da Infectologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo.

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