OMS monitora novo surto de Legionella na Argentina

Flávia Almeida

22/09/2022

Atualizado em22/09/2022

2 min

Em 29 de agosto de 2022, a OMS foi notificada pelo Ministério da Saúde da Argentina sobre a ocorrência de 6 casos de pneumonia bilateral sem etiologia identificada, na cidade de San Miguel de Tucumán. Todos os casos estavam vinculados a uma unidade de saúde privada, com início dos sintomas entre 18 e 22 de agosto de 2022. Entre 1 e 3 de setembro, 5 casos adicionais foram identificados. 

Dos 11 casos identificados, 8 foram em profissionais de saúde e 3 em pacientes que já estavam internados. Ocorreram 4 óbitos. A idade média dos casos é de 45 anos; 63% (7) são do sexo masculino e 90% (10) tinham comorbidade.


Resultados laboratoriais

Amostras de sangue, respiratória e de tecidos foram obtidas dos 11 casos. Os resultados foram negativos para COVID-19 (RT-PCR), influenza, Coxiella (sorologia), Legionella spp. (antígeno urinário), painel molecular de 12 vírus respiratórios, hantavírus (sorologia), histoplasma (RT-PCR), Yersinia pestis (PCR) e leptospirose (sorologia).

Análises posteriores de 2 amostras de lavado bronco-alveolar, por metagenômica, foram compatíveis com Legionella pneumophila.


Legionelose


Manifestações clíncias

A legionelose está associada principalmente a 2 doenças epidemiologicamente distintas: 


(i) A doença do legionário apresenta-se como pneumonia, caracterizada por:

  • Febre;
  • Tosse com ou sem dor torácica;
  • Dificuldade respiratória progressiva;
  • Pode estar associada a calafrios, cefaleia, mialgia, manifestações do trato gastrointestinal, sistema nervoso central e renais.


A letalidade geral é de aproximadamente 10%.


(ii) A febre de Pontiac é uma doença febril mais leve, sem pneumonia, caracterizada por um início abrupto de uma doença autolimitada, semelhante à gripe (febre, mialgia, dor de cabeça, fraqueza).


Epidemiologia

A doença do legionário é geralmente adquirida através da inalação de água em aerossol contendo espécies de Legionella spp (Figura 1).


Figura 1. Infografia portuguesa de Legionelose.

Fonte: SETRI (Portugal)/2022_reprodução


Os surtos, geralmente, estão associados a locais que possuem sistemas de água complexos, como hotéis, instalações de cuidados de longo prazo, hospitais e navios.

As fontes mais prováveis ​​de infecção incluem água contendo Legionella, de chuveiros, de ar condicionado, de banheiras de hidromassagem, de fontes decorativas ou de umidificadores.

As infecções associadas aos cuidados de saúde e podem estar relacionadas com a contaminação do abastecimento de água quente.

A doença é mais comum entre indivíduos >50 anos, homens, fumantes e com comorbidades.

O período de incubação é de 2 a 10 dias, com uma média de 5 a 6 dias.


Tratamento

Recomenda-se a administração intravenosa de azitromicina por 5 a 10 dias ou levofloxacina por 14 a 21.



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Considerações

O aumento do número de casos de pneumonia bacteriana por Legionella pneumophila, na Argentina, não só preocupa a OMS como também acende um alerta para especialistas sobre a gravidade da doença. No Brasil, a doença já causou alguns surtos. Em 2018, o Ministério da Saúde disponibilizou um protocolo de manejo para surtos de doença com veiculação hídrica¹, o qual aborda uma série de diretrizes importantes acerca do diagnóstico e tratamento em casos de infecção por Legionella. Vale a leitura completa!


Referências

WHO. Legionellosis – Argentina. Disponível em: https://www.who.int/emergencies/disease-outbreak-news/item/2022-DON407

American Academy of Pediatrics. Red Book: 2021 Report of the Committee on Infectious Diseases.



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Referências

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_agravos_veiculacao_hidrica.pdf

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INFECTOLOGIA

Flávia Almeida

Infectologia

CRM: 91434-SP

Médica formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, com residência em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela Santa Casa de São Paulo, doutorado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Professora assistente de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Médica assistente da Infectologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo.

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