Últimos dias para aproveitar os melhores descontos do ano 

0

0

Dias

0

0

Horas

0

0

Minutos

0

0

Segundos


Perspectivas futuras na profilaxia do VSR

Flávia Almeida

02/06/2022

Atualizado em02/06/2022

4 min
Perspectivas futuras na profilaxia do VSR

As infecções respiratórias agudas de vias aéreas são responsáveis, na pediatria, por um grande número de atendimentos e visitas a serviços de emergência e hospitalizações. 

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente causador dessas infecções em lactentes jovens, com grande impacto na saúde a curto e a longo prazo. 

Imagem 1. Modelo ilustrativo do Vírus Sincicial Respiratório (VSR)

O VSR causa infecção aguda do trato respiratório em indivíduos de todas as idades. A maioria das crianças é infectada no primeiro ano de vida e, virtualmente, todas as crianças serão expostas ao vírus até o final do segundo ano de idade, com reinfecções durante toda a vida. 

Apresenta sazonalidade marcada e clinicamente pode variar desde formas assintomáticas, leves, até formas graves, com comprometimento do estado geral e insuficiência respiratória, levando a óbito.

Embora de ocorrência universal, o VSR ganha maior importância quando acomete prematuros, portadores de cardiopatias congênitas e de doença pulmonar crônica da prematuridade, os quais são grupos considerados de maior morbimortalidade. 

Não há tratamento específico disponível, até o momento, para o VSR, apenas profilaxia. A única profilaxia disponível atualmente é o anticorpo monoclonal específico palivizumabe(PVZ), que é capaz de prevenir formas graves da doença, mas com uma eficácia limitada (redução de 55% na hospitalização por VSR: 10,6% de hospitalização no grupo placebo versus 4,8% no grupo PVZ) e custo elevado. O PVZ é recomendado através de diferentes esquemas em diversos países.

No Brasil, desde 2013, o Ministério da Saúde disponibiliza o PVZ, para os seguintes grupos: 

  • Prematuros até 28 semanas e 6 dias de idade gestacional, menores de um ano de idade; 
  • Crianças portadoras de cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada até o segundo ano de vida;
  • Crianças portadoras de doença pulmonar crônica da prematuridade, independente da  idade gestacional, até o segundo ano de vida.

Dessa forma, dada a importância do VSR, a necessidade de novas opções de profilaxia, passiva ou ativa, se faz extremamente necessária.

Há uma série de vacinas candidatas para o VSR em diferentes estágios clínicos de desenvolvimento, e de diferentes plataformas, tanto para gestantes, como para lactentes.

Uma vacina de nanopartículas de proteína F do VSR utilizada em 3.000 gestantes não atingiu o critério de sucesso pré-estabelecido para eficácia, não reduzindo doença, nem hospitalização por VSR nos lactentes dessas mulheres vacinadas.

Mas há outros estudos em andamento de fases 2 e 3, com gestantes, cujos resultados são promissores.

Vacinas para lactentes também estão em estudo, mas ainda são estudos pré-clínicos de fases 1 e 2.

Além disso, outros anticorpos monoclonais também vêm sendo testados.

Merece especial atenção o anticorpo monoclonal humano NIRSEVIMABE, que atua no sítio antigênico Ø da proteína F e apresenta atividade muito superior ao PVZ, sendo 150 vezes mais potente in vitroe 10 in vivo. Além disso, tem um ponto muito importante, que é a meia-vida prolongada, de aproximadamente 150 dias, o que permite seu uso em dose única. Dois estudos de fase 3 do uso do nirsevimabe foram recentemente publicados e os dados são muito promissores.

O primeiro estudo avaliou 1453 lactentes prematuros de 29 a 34 semanas, que receberam nirsevimabe em dose única intramuscular (n=969) versus placebo (n=484), na proporção 2:1. Os lactentes foram acompanhados por 150 dias. O estudo obteve os seguintes resultados: 

  • Eficácia para infecção do trato respiratório inferior por VSR com atendimento médico: 70,1% (IC95% 52,3 a 81,2);
  • Eficácia para hospitalização por infecção do trato respiratório inferior por VSR: 78,4 (IC95% 51,9 a 90,3);
  • Essas diferenças foram consistentes após 150 dias da aplicação da profilaxia;
  • Os eventos adversos foram semelhantes nos dois grupos.

O segundo estudo avaliou 1490 lactentes com idade gestacional maior que 35 semanas, que receberam nirsevimabe em dose única intramuscular (n=994) versus placebo (n=496), na proporção 2:1. O estudo obteve os seguintes resultados: 

  • Eficácia para infecção do trato respiratório inferior por VSR com atendimento médico: 74,5% (IC95% 49,6 a 87,1; P<0,001). Redução de risco absoluto de 6,9% (IC95% 4,1 a 9,7);
  • Eficácia para hospitalização por infecção do trato respiratório inferior por VSR: 62,1% (IC95% −8,6 a 86,8; P=0,07). Redução de risco absoluto de 3.3% (95% CI, 1.4% a 5.2%);
  • Evento adverso grave ocorreu em 6,8% dos lactentes no grupo nirsevimabe e 7,3% no grupo placebo.

Um outro anticorpo monoclonal humano, o CLESROVIMABE, que também apresenta atividade in vitro 50 vezes mais potente que o PVZ e meia-vida prolongada de 80 dias, tem estudos em andamento em fase 2. 

Dessa forma, esperamos que, em breve, novos anticorpos monoclonais para profilaxia do VSR, com dados promissores, com melhor eficácia e boa segurança, em dose única, estejam disponíveis em nosso meio, levando a uma diminuição da importante mobimortalidade causada por esse vírus.

 

Referências

1.      Esposito S, Abu Raya B, Baraldi E, Flanagan K, Martinon Torres F, Tsolia M, Zielen S. RSV Prevention in All Infants: Which Is the Most Preferable Strategy? Front Immunol. 2022 Apr 28;13:880368. 

2.      Griffin MP, Yuan Y, Takas T, Domachowske JB, Madhi SA, Manzoni P, Simões EAF, Esser MT, Khan AA, Dubovsky F, Villafana T, DeVincenzo JP; Nirsevimab Study Group. Single-Dose Nirsevimab for Prevention of RSV in Preterm Infants. N Engl J Med. 2020 Jul 30;383(5):415-425. 

3.      Hammitt LL, Dagan R, Yuan Y, Baca Cots M, Bosheva M, Madhi SA, Muller WJ, Zar HJ, Brooks D, Grenham A, Wählby Hamrén U, Mankad VS, Ren P, Takas T, Abram ME, Leach A, Griffin MP, Villafana T; MELODY Study Group. Nirsevimab for Prevention of RSV in Healthy Late-Preterm and Term Infants. N Engl J Med. 2022 Mar 3;386(9):837-846.


Você também pode se interessar por:
1. Varíola dos macacos – entenda a doença e a situação epidemiológica.

2. Alerta SARAMPO - Situação epidemiológica do sarampo no Brasil.

Continue atento aos conteúdos da Pupilla para mais Colunas!


Tags

VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO
PROFILAXIA
PALIVIZUMABE
NIRSEVIMABE

Flávia Almeida

Infectologia

CRM: 91434-SP

Médica formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, com residência em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela Santa Casa de São Paulo, doutorado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Professora assistente de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Médica assistente da Infectologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo.

Black November Card

Parcerias:

logo GrupoFleury
logo MIT
logo Philips
logo Hospital Sírio-Libanês
logo Saude Id
logo Cannect
logo BricNet

A Pupilla

Siga nossas redes