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Quando indicar o tratamento antiviral da influenza?

Flávia Almeida

04/01/2022

Atualizado em04/01/2022

4 min
Quando indicar o tratamento antiviral da influenza?

Desde novembro de 2021 vem ocorrendo um aumento do número de casos de influenza no Brasil. Após Rio de Janeiro e São Paulo, ao menos mais 15 estados do país já reportam aumento de atendimentos por influenza nas últimas semanas. 

A informação é de que a doença tem sido causada pelo Influenza A/H3N2/Darwin/9/2021. Esta cepa não fez parte da composição da vacina de 2021 recomendada para o hemisfério Sul, mas deve ser incluída na vacina de 2022.

Neste momento dois conceitos são fundamentais: Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Além das indicações de tratamento de influenza de acordo com o Protocolo de Tratamento de Influenza, do Ministério da Saúde de 2017.


Síndrome Gripal (SG): Indivíduo que apresente febre de início súbito, mesmo que referida, acompanhada de tosse ou dor de garganta e pelo menos um dos seguintes sintomas: cefaleia, mialgia ou artralgia, na ausência de outro diagnóstico específico. Em crianças com menos de 2 anos de idade, considera-se também como caso de síndrome gripal: febre de início súbito (mesmo que referida) e sintomas respiratórios (tosse, coriza e obstrução nasal), na ausência de outro diagnóstico específico. 


Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): Indivíduo de qualquer idade, com síndrome gripal (conforme definição anterior) e que apresente dispneia ou os seguintes sinais de gravidade: 

  • Saturação de O2 <95% em ar ambiente,
  • Sinais de desconforto respiratório ou aumento da frequência respiratória avaliada de acordo com a idade,
  • Piora nas condições clínicas de doença de base,
  • Hipotensão em relação à pressão arterial habitual do paciente,
  • Indivíduo de qualquer idade com quadro de insuficiência respiratória aguda, durante período sazonal,
  • Em crianças:  além dos itens anteriores, observar os batimentos de asa de nariz, cianose, tiragem intercostal, desidratação e inapetência.

 

Protocolo de Tratamento de Influenza - Ministério da Saúde, 2017

O uso do Inibidor da neuraminidade oseltamivir está indicado para:

  • Todos os casos de SRAG,
  • Todos os casos de SG que tenham condições e fatores de risco para complicações, independentemente da situação vacinal, mesmo em atendimento ambulatorial. 
  • São condições e fatores de risco para complicações:
  • Grávidas em qualquer idade gestacional, puérperas até duas semanas após o parto (incluindo as que tiveram aborto ou perda fetal),
  • Adultos ≥ 60 anos,
  • Crianças < 5 anos,
  • População indígena aldeada ou com dificuldade de acesso,
  • Indivíduos menores de 19 anos de idade em uso prolongado de ácido acetilsalicílico (risco de síndrome de Reye),
  • Indivíduos que apresentem:›
    • Pneumopatias (incluindo asma), 
    • Tuberculose de todas as formas (há evidências de maior complicação e possibilidade de reativação),
    • Cardiovasculopatias (excluindo hipertensão arterial sistêmica),
    • Nefropatias,
    • Hepatopatias,
    • Doenças hematológicas (incluindo anemia falciforme),
    • Distúrbios metabólicos (incluindo diabetes mellitus),
    • Transtornos neurológicos e do desenvolvimento que podem comprometer a função respiratória ou aumentar o risco de aspiração (disfunção cognitiva, lesão medular, epilepsia, paralisia cerebral, síndrome de Down, acidente vascular encefálico – AVE ou doenças neuromusculares),
    • Imunossupressão associada a medicamentos (corticoide ≥ 20 mg/dia por mais de duas semanas, quimioterápicos, inibidores de TNF-alfa) neoplasias, HIV/aids ou outros,
    • Obesidade (especialmente aqueles com índice de massa corporal – IMC ≥ 40 em adultos).


Síndrome Gripal em pacientes sem condições e fatores de risco para complicações 

A prescrição do oseltamivir deve ser considerada baseada em julgamento clínico, preferencialmente nas primeiras 48 horas após o início da doença, além dos medicamentos sintomáticos e da hidratação.


Indicações de Quimioprofilaxia para Influenza - Ministério da Saúde, 2017

A profilaxia com oseltamivir está indicada para:

  • Pessoas com risco elevado de complicações não vacinadas ou vacinadas há menos de duas semanas, após exposição a caso suspeito ou confirmado de influenza.
  • Crianças com menos de 9 anos de idade, primovacinadas, necessitam de segunda dose da vacina com intervalo de um mês para serem consideradas vacinadas. Aquelas com condições ou fatores de risco que foram expostas a caso suspeito ou confirmado no intervalo entre a primeira e a segunda dose ou com menos de duas semanas após a segunda dose.
  • Pessoas com graves deficiências imunológicas (exemplos: pessoas que usam medicamentos imunossupressores; pessoas com aids com imunodepressão avançada) ou outros fatores que possam interferir na resposta a vacinação contra a influenza, após contato com pessoa com infecção.
  • Profissionais de laboratório, não vacinados ou vacinados a menos de 15 dias, que tenham manipulado amostras clínicas de origem respiratória que contenham o vírus influenza sem uso adequado de EPI.
  • Trabalhadores de saúde, não vacinados ou vacinados a menos de 15 dias, e que estiveram envolvidos na realização de procedimentos invasivos geradores de aerossóis ou na manipulação de secreções de caso suspeito ou confirmado de influenza sem o uso adequado de EPI.
  • Residentes de alto risco em instituições fechadas e hospitais de longa permanência, durante surtos na instituição deverão receber quimioprofilaxia, se tiverem comorbidades.

Considera-se exposição a pessoa que teve contato com caso suspeito ou confirmado para influenza até 48 horas.

 

A quimioprofilaxia com antiviral não é recomendada se o período após a última exposição a uma pessoa com infecção pelo vírus for maior que 48 horas.

 

Posologia do Oseltamivir:

Outras referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Protocolo de tratamento de Influenza: 2017. 

Brasil. Ministério da Saúde. NOTA TÉCNICA Nº 143/2019-CGAFME/DAF/SCTIE/MS. Recomendação para diluição do Fosfato de Oseltamivir (Tamiflu®).

Prefeitura do Município de São Paulo Secretaria Municipal da Saúde Coordenadoria de Vigilância em Saúde - COVISA. Informe Técnico DVE/2021. Influenza – Tratamento e Quimioprofilaxia.


Referências

Clinical Practice Guidelines by the Infectious Diseases Society of America: 2018 Update on Diagnosis, Treatment, Chemoprophylaxis, and Institutional Outbreak Management of Seasonal Influenzaa

Timothy M Uyeki, Andrew T Pavia — Publicado em 05/10/2018Clinical Infectious Diseases

DOI: 

10.1093/cid/ciy866

Tags

SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE (SRAG)
SÍNDROME GRIPAL (SG)
INFLUENZA
TRATAMENTO ANTIVIRAL

Flávia Almeida

Infectologia

CRM: 91434-SP

Médica formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, com residência em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela Santa Casa de São Paulo, doutorado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Professora assistente de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Médica assistente da Infectologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo.

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