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[Resolução] Dor abdominal na adolescência

Flávia Almeida

28/04/2022

Atualizado em28/04/2022

2 min
[Resolução] Dor abdominal na adolescência

Resposta: E. 

Nenhuma das anteriores. Trata-se da Hematometrocolpo por Imperfuração himenal

Comentário:

A incidência de hímen imperfurado (HI) varia de 0,05% a 0,1%. O diagnóstico é feito pela presença de abaulamento himenal sem perfuração visível.

O HI é a mais comum das anormalidades congênitas causadoras de obstrução ao fluxo genital.  Todavia, o diagnóstico continua sendo feito tardiamente, o que pode ser evitado pelo simples exame da genitália externa das pacientes. Pode já ser diagnosticado em recém-nascidas pelo exame físico genital.

É comumente encontrado em pacientes do sexo feminino com caracteres sexuais secundários bem definidos, que não apresentaram a menarca e apresentam história de dor abdominal pélvica cíclica irradiada para o pube e região lombar, com evolução de 4 a 15 meses em média. Há, em geral, uma massa pélvica fixa, globosa, amolecida, dolorosa à palpação, que pode causar, por compressão extrínseca, disúria e constipação intestinal. Eventualmente, manifesta-se na recém-nascida, com massa cística palpável no hipogástrio, resultante da distensão útero-vaginal por líquido secretado pelas glândulas mucosas cervicais que sofreram estímulo estrogênico materno.

Uma revisão sistemática recente incluiu 236 pacientes com IH, com idade média 10,7 ± 4,7 anos. Dor abdominal (54,2%), retenção urinária (20,3%), menstruação anormal (14,0%), disúria (9,7%), aumento da frequência urinária (5,1%), insuficiência renal (n = 5, 2,1%) e infecção do trato urinário (n = 1, 0,4%) foram os sinais e sintomas apresentados. A maioria das pacientes foi submetida a tratamento cirúrgico (83,5%), com himenotomia (35,2%) e himenectomia (36,4%). Observou-se que 141 (59,7%) pacientes apresentaram melhora. Complicações, como aderências vaginais, foram observadas 6,6% das pacientes. Dos 236 casos, em 17, o diagnóstico de HI foi antes do nascimento, e a himenectomia (n = 5, 29,4%) e himenotomia (n = 9, 52,9%) foram as principais modalidades de tratamento.

Quanto mais tardio o diagnóstico de HI, maiores as complicações, como distensão retrógrada das trompas, podendo levar à endometriose, ruptura uterina, aderências pélvicas e até mesmo infertilidade.

A ultrassonografia mostra uma massa cística, com conteúdo líquido, quase sempre com debris, devido ao acúmulo de sangue menstrual e descamação do endométrio.

Quando esse abaulamento é somente vaginal é denominado hematocolpo; quando se estende também para o útero, hematometrocolpo.

Uma vez diagnosticado o HI, o tratamento consiste em uma incisão cruciforme no hímen e drenagem do hematocolpo. O seguimento deve ser realizado para avaliar se houve a possibilidade de recoaptação dos bordos himenais.

O HI tem diagnóstico fácil pelo exame físico e excelente prognóstico pós-cirúrgico. Dessa forma reforçamos a importância de um exame físico completo desde o nascimento.

Conclusão do caso:

Ao exame físico genital, observou-se que o hímem era imperfurado e apresentava coloração arroxeada. A TC de abdome revelou volumosa formação cística na topografia uterina, estendendo-se ao canal vaginal medindo 27x9,3x8,8 cm (volume estimado 1200ml), inferindo hematometrocolpo (Vídeo). A paciente foi submetida à himenotomia, com saída de grande quantidade de sangue. Houve resolução do quadro.

O vídeo abaixo ilustra nossa resposta.

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Referência:

Lee KH, Hong JS, Jung HJ, Jeong HK, Moon SJ, Park WH, Jeong YM, Song SW, Suk Y, Son MJ, Lim JJ, Shin JI. Imperforate Hymen: A Comprehensive Systematic Review. J Clin Med. 2019 Jan 7;8(1):56.

Sayeg K, Lin EUA, Havrenne JED, Cintra AESU. Case Report: acute abdomen in a 10-years-old girl with imperforate hymen. Rev Méd Minas Gerais. 2020; 30(N. Esp.): e-E0007.

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Tags

ADOLESCENTES
DOR ABDOMINAL

Flávia Almeida

Infectologia

CRM: 91434-SP

Médica formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, com residência em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela Santa Casa de São Paulo, doutorado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Professora assistente de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Médica assistente da Infectologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo.

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