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Vacina de Febre Amarela: dose única é suficiente?

Flávia Almeida

07/10/2022

Atualizado em16/11/2022

4 min
Vacina de Febre Amarela: dose única é suficiente?

(*) Texto em coautoria com a Dra Silvia Bardella Marano (CRM 53561 - SP), médica pediatra.


A febre amarela (FA) é uma doença infecciosa febril aguda transmitida por vetores artrópodes e causada por um vírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae. Dito isso, a FA apresenta dois ciclos de transmissão epidemiologicamente distintos: silvestre e urbano. Do ponto de vista etiológico, clínico, imunológico e fisiopatológico, a doença é a mesma nos dois ciclos.


No ciclo silvestre da FA, os primatas não humanos (macacos) são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus, e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata.

No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica, e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados.

Aproximadamente 200.000 casos e 30.000 mortes de FA ocorrem anualmente no mundo. Em 2020, 40 países da África e da América Central e do Sul foram classificados como endêmicos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 


Febre amarela no Brasil


Figura 1. Mosquito Aedes aegypti. A principal característica da espécie são as "manchas" brancas nas pastas e dorso.


A FA urbana não é registrada no país desde 1942. Enquanto o Aedes aegypti encontrava-se erradicado, havia uma relativa segurança quanto à não possibilidade de reurbanização do vírus amarílico. Entretanto, a reinfestação de extensas áreas do nosso território por este vetor, já presente em quase todos os municípios do país, traz a possibilidade de reestabelecimento deste ciclo de transmissão do vírus.

A forma silvestre é endêmica nas regiões tropicais da África e das Américas. Em geral, apresenta-se sob a forma de surtos com intervalos irregulares, sem ciclicidade definida. Na população humana, o aparecimento de casos é geralmente precedido de epizootias em primatas não humanos.


Vacina de febre amarela

Como não há medicamentos licenciados disponíveis para tratar a FA, a redução da carga da doença é realizada exclusivamente por meio de vacinação e controle de vetores.

Apesar de vacinas eficazes contra a FA estarem disponíveis desde a década de 1930, os surtos continuam a ocorrer, de modo que a doença se espalhou para novas áreas do planeta nas últimas décadas.

Por muitos anos, doses de reforço da vacina de FA foram recomendadas a cada 10 anos para aqueles em risco de exposição, incluindo pessoas que vivem em países endêmicos e viajantes. 


Em 2013, a OMS, alterou a recomendação de vacinação de FA para que fosse administrada apenas uma dose durante toda a vida do indivíduo, sem a necessidade de doses de reforço. Essa recomendação se baseou em uma revisão sistemática da literatura onde foi identificado que a maioria dos indivíduos vacinados apresentavam soroconversão à vacina após dose única e o título de anticorpos neutralizantes se mantinha acima de níveis protetores por décadas.


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Esquema vacinal no Brasil


No Brasil a recomendação atual do Programa Nacional de Vacinação é vacinar toda a população de 9 meses de vida a 59 anos de idade (tabela 1).


Tabela 1. Orientações para a vacinação de Febre Amarela em todo o Brasil

O que dizem os estudos

A efetividade e duração de proteção da dose única da vacina de FA tem sido questionada. Esta revisão sistemática e metanálise avaliou a duração da proteção da vacina de FA.

Foram incluídos 36 estudos de 20 países (sendo 11 estudos brasileiros), em áreas endêmicas e não endêmicas, compreendendo mais de 17 mil adultos e crianças, incluindo pessoas vivendo com HIV, doenças autoimunes, receptores de transplante de órgãos e pacientes sob terapia imunossupressora por vários motivos, com idades entre 6 meses e 85 anos. Avaliou-se a duração da proteção após dose única e duas ou mais doses da vacina de FA, estratificados por tempo desde a vacinação (≤ 3 meses; >3 meses a ≤ 5 anos; >5 a ≤ 10 anos; > 10 a ≤ 20 anos; e > 20 anos).


O estudo mostrou:

  • Entre adultos e crianças saudáveis, as taxas de soroproteção após dose única de vacinação foram próximas de 100% em 3 meses e permaneceram altas em adultos por 5 a 10 anos;
  • Em crianças vacinadas antes dos 2 anos de idade, a taxa de soroproteção foi de 52% dentro de 5 anos após a vacinação primária;
  • Para pessoas imunodeficientes, os dados indicam declínio relevante;
  • Existem dados escassos sobre a persistência da imunidade humoral além de 10 anos após uma dose única de vacina contra FA. Além de 20 anos, nenhum estudo foi publicado em adultos saudáveis;
  • Os dados não revelaram diferenças epidemiologicamente relevantes entre ambientes endêmicos e não endêmicos, sugerindo que os reforços naturais em ambientes endêmicos são raros ou não desempenham um papel importante na manutenção da proteção;
  • O estudo conclui que uma única dose da vacina de FA confere altos níveis de imunidade (medida por taxas de soroproteção) em adultos saudáveis ​​por até 10 anos, após o qual ocorre o declínio, aumentando assim o risco de falhas secundárias da vacina. A extensão em que a imunidade diminui depende da idade e do estado imunológico nos quais foi feita a vacinação primária;
  • A vigilância de casos de FA é fundamental para documentar a efetividade vacinal.



Leitura sugerida

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis. Manual de manejo clínico da febre. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2020/manual_manejo_febre_amarela_3dez20_isbn.pdf

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Febre amarela : guia para profissionais de saúde. 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/febre_amarela_guia_profissionais_saude.pdf


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Referências

Duration of Protection After Vaccination Against Yellow Fever - Systematic Review and Meta-analysis

Kerstin Kling, Cristina Domingo, Christian Bogdan, Steven Duffy, Thomas Harder, Jeremy Howick, Jos Kleijnen, Kevin McDermott, Ole Wichmann, Annelies Wilder-Smith, Robert Wolff — Publicado em 20/08/2022Clinical Infectious Diseases

DOI: 

10.1093/cid/ciac580

Tags

VACINAÇÃO

Flávia Almeida

Infectologia

CRM: 91434-SP

Médica formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, com residência em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela Santa Casa de São Paulo, doutorado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Professora assistente de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Médica assistente da Infectologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo.

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