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Síndrome de Takotsubo e o "coração feliz"

Ibraim Masciarelli Francisco

Ibraim Masciarelli Francisco

08/09/2022

Atualizado em08/09/2022

2 min
Síndrome de Takotsubo e o "coração feliz"

A síndrome do coração partido é conhecida há mais de uma década e compreende o desenvolvimento de disfunção regional do ventrículo esquerdo, particularmente na parede apical, após episódios de fortes emoções. Por outro lado, agora, parecem haver evidências as quais sugerem que o excesso de emoções positivas também podem induzir disfunção ventricular.


Discussão

Na última década do século passado, surgiram relatos iniciais de casos de disfunção ventricular, em particular comprometendo a região apical do ventrículo esquerdo após episódios de exposição a emoções intensas, tais como receber notícias de mortes de entes queridos, divórcios, demissões, dentre outras.


Tais episódios podem mimetizar o infarto agudo do miocárdio e fazem parte do diagnóstico diferencial de síndromes coronárias agudas. Mais recentemente, por outro lado, passaram a surgir estudos mencionando que quadros semelhantes poderiam surgir também após episódios de intensas emoções positivas. Embora menos frequentes do que ocorre após emoções negativas ou esforços físicos extenuantes, estes episódios mostram curso clínico semelhante. As principais diferenças estão na proporção maior de pacientes do sexo masculino e na mortalidade numericamente inferior, embora sem diferença estatisticamente significativa, em trabalho de Stiermaier e colaboradores analisando o GEIST, registro que conta com o maior número de pacientes com cardiomiopatia induzida por estresse (Takotsubo).


Uma importante diferença, por outro lado, encontra-se no fato de que, na maioria dos casos, o local do balonamento é menos típico, sendo infrequentemente localizado no ápice do ventrículo esquerdo.

Assim como ocorre em quadros de Takotsubos induzidos por emoções negativas, o mecanismo patológico da síndrome do coração feliz não é totalmente conhecido. É possível que o fato de que a amígdala estar envolvida na via neurológica de todos os tipos de emoções, possa ter um papel neste mecanismo. Hipóteses favorecendo a existência de um eixo cérebro-coração envolvendo também hiperatividade simpática e níveis de catecolaminas. Contudo, as vias específicas e os exatos mecanismos fisiopatológicos ainda não são conhecidos.


Considerações

De qualquer modo, a possibilidade de pacientes com disfunção ventricular regional não acompanhada de obstruções das artérias coronárias e, em especial sem sinais de necrose à ressonância magnética, ter tido como causa não apenas emoções negativas, mas também emoções positivas intensas, deve ser mantida em mente.


Finalmente, a existência desta síndrome não deve ser um estímulo para que se fuja da busca da felicidade. Trabalhos mostram resultados preliminares animadores com o exercício do perdão, da gratidão e da meditação sobre a saúde cardiovascular. Mas ele serve de alerta para que se busque o equilíbrio em todos os momentos da vida. Serve também de alerta para que se controle os fatores de risco para doença cardiovascular, pois a presença de comorbidades tem importante impacto na evolução clínica destes pacientes.


Leitura recomendada

Adu-Amankwaah J, et al. “Happy Heart” Versus “Broken Heart” Syndrome: The 2 Faces of Takotsubo Syndrome. J Am Coll Cardiol.


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Referências

Happy Heart Syndrome

Thomas Stiermaier, Alexandra Walliser, Ibrahim El-Battrawy, Toni Pätz, Matthias Mezger, Elias Rawish, Mireia Andrés, Manuel Almendro-Delia, Manuel Martinez-Sellés, Aitor Uribarri, Alberto Pérez-Castellanos, Federico Guerra, Giuseppina Novo, Enrica Mariano, Maria Beatrice Musumeci, Luca Arcari, Luca Cacciotti, Roberta Montisci, Ibrahim Akin, Holger Thiele, Natale Daniele Brunetti, Ivan J. Núñez-Gil, Francesco Santoro, Ingo Eitel — Publicado em 01/08/2022JACC: Heart Failure

DOI: 

10.1016/j.jchf.2022.02.015

Tags

CARDIOLOGIA CLÍNICA
SÍNDROME CORONÁRIA CRÔNICA
SÍNDROME
Ibraim Masciarelli Francisco

Ibraim Masciarelli Francisco

CRM: 47375-SP

Médico formado pela Universidade Federal de São Paulo, com residência em Cardiologia pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e doutorado em ciências pela Faculdade de Medicina da USP. Assessor sênior da cardiologia do grupo Fleury, Fellow do American College of Cardiology e da European Society of Cardiology, ex presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

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